domingo, 25 de outubro de 2009

O MENINO SELVAGEM

O filme O Menino Selvagem retrata, fielmente, as bárcaries cometias contra os surdos.
Por volta de 1800, numa floresta francesa, foi encontrada uma criança grosseira, que agia como um animal, um selvagem. Levada para Paris, foi observada pelo mais célebre psiquiatra da época, Pinel, que concluiu que o menino fora abandonado por ser um idiota e que as possibilidades de educá-lo seria infrutíferas. Foi examinado, também, pelo jovem médico Itard, que, ao contrário, considerou ser possível recuperar o menino, pois acreditava que seu atraso fora provocado pelo seu isolamento total da civilização e não por inferioridade congênita. Para provar que estava com a razão, Itard pediu a tutela desta criança. Assim, em sua casa, com a ajuda de sua governanta, iniciou a difícil tarefa de desenvolver as faculdades dos sentidos, intelectuais e afetivas de Victor, nome pelo qual passou a chamar esta criança.
É desnecessário dizer que a história é verídica e os personagens são reais e isto deixou-me abalada em ver os horreores cometidos contra o menino.
Nós, seres humanos ditos normais, temos a péssima mania de diagnosticar nossos semelhantes com pequenas anormalidades como "doidos varridos", sem nem ao menos procurar saber as causas e o que são essas anormalidades. Devemos parar e pensar, o que seria de nós se fossemos privados da socialização com outras pessoas, mesmo que por um período curto?
No Brasil, Pinel é sinônimo de "pessoa doida". Isto se deve ao fato de que muitos hospitais psiquiátricos receberam este nome em homenagem a Philippe Pinel. Pinel ficou conhecido por considerar que os seres humanos que sofriam de perturbações mentais eram doentes e que deveriam ser tratados como tais e não de forma violenta.
A violência não era característica apenas do mundo selvagem. Ao longo do filme, podemos ver diversos tipos de violência. Por muitas vezes, a sociedade civilizada era mais violenta do que o meio em que o menino vivia.
Na cena em que os meninos surdos perseguiram e agrediram Victor, foi retratada a resposta desses mesmos meninos àquilo que vivenciaram até então, ou seja, encontraram alguém inferior a eles e que merecia receber o mesmo tratamento que vinham recebendo desde que nasceram.
Apesar da lentidão, muitas vezes duvidosa, da educação intelectual do menino, o jovem Dr. Itard acreditava que ele tinha uma consciência moral (deduzi que esta era a razão pela qual lhe dedicou tntos anos), e esta situação de moralidade lhe dava condições de ser reintegrado na sociedade.
O menino, a cada dia que passava, colaborava mais com o projeto do médico. Esta colaboração era uma resposta ao trabalho tanto do médico, que seguia um método objetivo e racional (aprendizagem de uma linguagem simbólica, humaniação de alguns comportamentos) como o da governanta que lhe atendia as necessidades físicas e afetivas.
É óbvio que naquele tempo não havia jogos educacionais como os de hoje em dia, ms foi interessante ver o menino brincando com os símbolos, demonstrando interesse e um pequeno desenvolvimento cognitivo. O Dr. Itard provou, consciente ou inconscientemente, que os jogos auxiliam no desenvolvimento psicomotor das crianças.
Ouso dizer que os métodos utilizados pelo médico continuam atuais e provocadores de reflexão. A médica e pedagoga italiana Maria Montessori (reli sobre ela na interdisciplina Didática, Planejamento e Avaliação) era uma entusiasta de seus métodos e muito se interessou pelos relatórios deixados.
Um fato curioso e digno de ser citado que é Victor foi educado longe do contato com outras crianças. Penso que outras crianças auxiliariam, e muito, no desenvolvimento do menino. Não sei se isto foi uma falha do médico ou foi intencional. Não podemos esquecer que Victor fora agredido por crianças e a presença de uma delas poderia gerar medo, revolta. Isto é um fato que merece ser pensado e discutido. Qual a razão do médico de não ter utilizado a vivacidade e cumplicidade de outra criança?




Imagem do filme "O Menino Selvagem".

Um comentário:

Simone disse...

Oi Suzan, brincando um pouco com a ficção, se fosse tu que tivesse encontrado Victor, como agiria para promover educação? Abração