domingo, 21 de novembro de 2010

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

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Pedagogia do Oprimido ou Pedagogia do Bom Senso?
A Pedagogia do Oprimido - opressão contida na sociedade e no universo educativo - já não presencia mais as aulas nas atuais instituições de ensino.
Na teoria, com certeza. Na prática, talvez!
A opressão ainda pode se encontrar dentro de muitas obrigações das práticas educativas: cumprimento de conteúdos, cumprimento de índices de aprovação,...
Porém, o professor ainda é a autoridade máxima no processo ensino/aprendizagem e é seu dever
desconsiderar muitas dessas "obrigações" em prol do amadurecimento de seu aluno. Basta usar de bom senso!
A Pedagogia do Bom Senso é uma necessidade social porque a família - mesmo as desestruturadas - ainda é a base da sociedade. Se esta mesma família falha, ou se omite, na educação dos filhos, cabe à escola suprir estas necessidades.
Estamos falando de Educação Escolar ou Familiar? Ambas.
Na atualidade, não há como separar a educação que a criança recebe em casa e a educação que deve receber na escola e, na maioria das vezes, a criança só aprende limites, princípios éticos e morais dentro da escola, através das atitudes do professor.
A Pedagogia do Bom Senso, também chamada de Pedagogia de Freinet, uma sintonia da escola com a vida do aluno, é centrada na criança e baseada sobre alguns princípios que esta mesma criança deve assimilar, espelhando-se nos pais ou professores: senso de responsabilidade, senso cooperativo, sociabilidade, julgamento pessoal, autonomia, expressão, criatividade, comunicação, reflexão individual e coletiva, afetividade.
A Pedagogia do Oprimido é exterminada pela Pedagogia do Bom Senso que, automaticamente, abre a porta para a Pedagogia da Autonomia.
Para Freire, o homem e a mulher são os únicos seres capazes de aprender com alegria e esperança, na convicção de que a mudança é possível.
O dever do professor é despertar esta alegria e esta esperança, desenvolvendo, no estudante, uma visão crítica, "expulsando o opressor de dentro do oprimido".
Segundo Freire, a prática docente tem de seguir uma coerência profissional, onde o ensino exige do docente um comprometimento existencial, da qual nasce uma autêntica solidariedade entre educador e educandos, pois ninguém deve se contentar com uma maneira neutra de estar no mundo.
A Pedagogia não deve ser elaborada para o sujeito, mas sim à partir dele, pois a prática da liberdade está inserida em um modo de transmissão de conhecimentos, pela qual o indivíduo possa refletir, para tornar-se sujeito de sua própria história.
Para Paulo Freire, o ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos.
"Não á docência sem discência, as duas se explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender". (Paulo Freire)
Nós, professores, não somos seres superiores, melhores ou mais inteligentes porque dominamos conhecimentos que o educando ainda não domina, mas somos, como o aluno, participantes do mesmo processo da construção da aprendizagem. Não podemos mais conceber modismos e amadorismos em nossa prática educativa, pois lidamos com seres humanos e por isso temos que saber valorizar e distinguir com clareza a capacidade, as habilidades e as competências de cada um, de forma responsável tendo como referencial determinante os diferentes conhecimentos agregando-os à vivência de cada ser humano.
O professor só estará cumprindo o seu papel no momento em que prepara os alunos para uma visão crítica em relação ao mundo, conscientizando-se de que o conhecimento dos indivíduos não equivale somente às informações recebidas e que cada um tem seu modo próprio de perceber, pensar, interpretar e a fazer aplicações a novas situações.
Instigar o aluno a pensar deve ser o principal interesse do professor. O pensamento pode não ser a garantia absoluta para a solução de todos os problemas, mas quando há esse estímulo e liberdade para pensar, existem possibilidades de superação de erros anteriores e de encaminhamento de novas propostas e melhores oortunidades para ouvir, discutir, modificar e experimentar ideias inovadoras.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

TEXTOS DIVERSIFICADOS

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A escola é uma instituição a serviço da sociedade, essa mesma sociedade, individualista e capitalista, que exige de seus cidadãos algumas competências, entre elas, a prática da leitura e da escrita.
Muitas crianças não se interessam pela leitura (essa afirmação é uma constante entre os professores das diversas etapas na vida escolar de uma criança), pois não recebem estímulos. Se esse processo não for oportunizado pela família, fora da escola, é dever do professor suprir essa deficiência, oferecendo os mais variados tipos de texto, visando o "despertar" do aluno pelo gosto da leitura.
De acordo com os PCN's (1997), o papel do professor e da escola é formar alunos críticos, habituados com a leitura, incentivados para a leitura. A escola deve trazer um sentido a criança, assim como seu aprendizado, deve ser um espaço onde o aluno tem autonomia pata agir, discutir, decidir, realizar e avaliar suas práticas, os alunos precisam engajar-se no seu próprio aprendizado. Portanto, o professor deve criar esse espaço para seu aluno, contribuindo assim para que sua aprendizagem seja significativa.
A escola é o principal agente na formação de leitores e escritores.
A diversidade de textos não se restringe apenas à partes escritas, a criança deve ter oportunidade de "ler" outros tipos de textos também. Obras de arte, por exemplo.
Nosso passeio a capital gaúcha ofereceu e estimulou muitas práticas de leitura. No Planetário, os alunos tiveram oportunidade de rever os estudos sobre o sistema solar.
Magnífico!
Para mim também, pois foi a primeira vez que visitei este espaço de aprendizagem.
Outro ponto muito interessante e de excelentes aprendizagens foi a Fundação Iberê Camargo. Todas as crianças se mostraram interessadas pelas obras que lá estavam expostas, principalmente as telas do "Homem das Bicicletas".




Estávamos observando uma tela de Iberê que tive a impressão de já conhecer. Logo lembrei. Ela era o descanso de tela de meu celular. Uma foto que tirei quando visitei a orla da cidade de Guaíba. Mostrei ao guia e ele concordou que era o mesmo local. Iberê pintou a paisagem, eu fotografei. De acordo com as imagens, estávamos praticamente no mesmo lugar.
Os alunos ficaram encantados em comparar a mesma paisagem, porém em épocas diferentes.
Jamais poderemos dizer que observar obras de arte é assunto só para adultos. Não é! Uma criança pode entender a mensagem do artista tanto quanto qualquer pessoa.
A criança deve ter oportunidade de ver, observar, sentir, ler, todo tipo de texto, porque cada espaço tem algo para ser lido e cada leitura é uma oportunidade de aprendizagem.
"Só a imaginação pode ir mais longe no mundo do conhecimento. Os poetas e os artistas intuem a verdade. Não pinto o que vejo, mas o que sinto" (Iberê Camargo).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

PLANEJAR PARA AVALIAR OU AVALIAR PARA REPLANEJAR?

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Desde que nascemos, nossa caminhada é constituida de projetos. Projetamos nossas brincadeiras infantis, nossos embalos de fim de semana, nossa casa, a criação dos filhos,... projetamos atividades com nossos alunos.
Apesar do refrão "o acaso vai nos proteger" ser uma frase de impacto e, em certos casos, verdadeira, em sala de aula é utopia esperar pela proteção do acaso. Podemos até mudar nossos planos se o acaso bater em nossa porta, mas jamais poderemos estar diante do aluno sem um excelente projeto de estudos.
Também pode-se perceber que é impossível desvincular a avaliação de toda a prática educativa. Isto, porém, não significa "testar" o conhecimento do aluno através de provas, avaliações, testes.
A avaliação deve ser contínua e paralela ao processo de ensinar/aprender.
A avaliação é uma constante em nosso dia-a-dia. Nos avaliamos no modo de vestir, de pensar, avaliamos nossos sentimentos e os sentimentos dos outros em relação a nós.
Como professores, nossa avaliação também deve ser constante, o aluno é o reflexo de tudo o que ensinamos e como ensinamos, incluindo um julgamento de valor sobre nós mesmos e nossa prática pedagógica.
A maioria do professorado não está satisfeito com o sistema de avaliação imposto pelas escolas e, mesmo, pela comunidade escolar (muitos pais não aceitam o fato de o filho não realizar provas, acreditando que somente o papel escrito é uma validade do conhecimento do filho), querendo mudar o sistema de avaliação, como se a mudança de avaliação fosse mudar, também a qualidade de ensino.
A avaliação é, intrinsecamente, ligada ao processo pedagógico que estamos desenvolvendo, ela faz parte desse processo e não tem como fazer o caminho inverso, crendo que mudando o processo de avaliação, melhora-se a qualidade de ensino.
O sistema de avaliação deve ser melhorado, assim como todo o conjunto das práticas educativas.
Os conteúdos obrigatótios de quarenta anos atrás são, praticamente, os mesmos de hoje, mas é impossível querer que um aluno de hoje "assista" uma aula nos mesmos padrões de décadas atrás.
O alunado não é o mesmo, ele está tecnologicamente conectado com o mundo. Antes mesmo de chegar à escola, ele já ouviu falar sobre os temas escolares. Nada mais é inédito, dentro das salas de aula. O que deve ser inédito, o que deve "abalar" é o modo como as aulas são administradas. Elas devem ser encantadoras, cativantes.
No exato momento que o aluno se encantar pelo conteúdo proposto, sentir prazer de vir à escola, ele está aprendendo e ensinando o professor a ser professor.
Avaliar é um processo muito importante, se entendermos que esta avaliação é vinculada a nossa prática educacional e necessária para que se saiba o que e como o aluno aprendeu, o que já se conseguiu avançar, como se vai vencer o que não foi superado e como essa prática será mobilizadora para a comunidade escolar.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O MENININHO

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A expectativa de um sistema escolar é capacitar indivíduos para exercerem uma profissão, para serem cidadãos conscientes e para serem criativos na sua área de atuação.
Será que aquilo que a educação escolar está oferecendo aos alunos é o mesmo que eles têm ido buscar? Será que os desejos dos pais para com a educação escolar de seus filhos vêm sendo alcançados pela educação oferecida nas instituições de ensino? E com relação aos educadores, quais são seus próprios anseios e qual a sua intencionalidade quanto à educação escolar de seus alunos? Atingem aos seus objetivos ou será que se desencontram no processo de cumprir os Planos de Estudos?
Este ano de 2010 é inédito para minha profissão. Pela primeira vez trabalho com uma turma de 5° ano.
Além deste fato, houve o estágio do Pead, com esta mesma turma. A partir de minha expectativa com a nova missão, meus objetivos se concretizavam em identificar, analisar e comparar os anseios de meu público, possibilitando uma maior aproximação, harmonia e cooperação entre os personagens da sala de aula.
No início do ano letivo deparei com alunos que passavam a maior parte do tempo desenhando. Aproveitei esta oportunidade: cada atividade proposta podia ser acompanhada por um desenho.
Estes mesmos alunos que só queriam desenhar, hoje produzem textos maravilhosos.
Lemos e escrevemos muitas poesias, trovas, poemas, textos rimados. As produçoes eram maravilhosas! Até hoje, há quem pergunte: Posso escrever meu texto em forma de poesia?
É claro que sim!
Toda a comunidade deve contribuir na construção de uma escola com ensino de qualidade, mas o alicerce ainda é responsabilidade do professor diante de sua turma.
... e começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde...
... e começou a escrever versinhos...
... e começou...
O que realmente importa para uma verdadeira capacitação de indivíduos é a oportunidade de começar.

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

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Quando a interdisciplina Filosofia da Educação nos proporcionou assistir ao filme Entre os Muros da escola, eu não consegui identificar o fenômeno de bullying entre os personagens, talvez por eu não ter os conhecimentos, sobre o assunto, que tenho hoje.
Ao visitar as páginas do meu portfólio, no período de 2009, revi minha antiga postagem sobre o filme e revivi as cenas, mas outra visão.
O filme retrata a autocrítica do professor em relação à sua postura docente e o fracasso da escola em atender o alunado, marginalizando o público alvo a ponto que eles atuassem como marginais.
A escola desconsiderou todas as oportunidades de educação daqueles jovens, ou não tinha capacidade de perceber que estava bem perto.
O espaço físico da escola não era acolhedor, não instigava o aluno a "querer" voltar no dia seguinte. O espaço de lazer não oferecia absolutamente nada, nem um lugar para se sentar, nem uma única árvore que oferecesse uma refrescante sombra, nem um lugar para esporte.
Não havia um diálogo entre corpo docente e família, pois a língua e a cultura de origem dos mesmos era desconhecida pela escola. A opinião dos pais em relação a seus filhos era totalmente desconsiderada.
O professor (protagonista) era descrente da competência daqueles que lhes foram confiados, mantendo, na maioria das vezes, uma relação inadequada: sarcástico, irônico, agressivo. Estas atitudes provocam humilhação e vergonha nos alunos, minimizando ou impedindo o processo de aprendizagem.
A escola menospreza as oportunidades de exercer sua verdadeira função: educadora e formadora. Quando os alunos se fazem representar nas reuniões do Conselho, são completamente ignorados. Outro exemplo de desconsideração com a bagagem cultural do aluno é a incapacidade da escola em aproveitar o sentimento de lealdade que o alunado tem entre si, valorizando somente as tensões e conflitos gerados pela pluralidade cultural dos mesmos.
O professor desperdiça uma boa oportunidade de recuperar seu aluno rebelde quando este lhe entrega o excelente trabalho fotográfico que fez quando solicitado a fazer sua autobiografia. É patente o encantamento do jovem por se ver elogiado pelo professor, numa demonstração da importância que atribui ao julgamento do mestre. Infelizmente, esse momento se perde. E o aluno reassume sua postura de contestação e rebeldia, que, sem encontrar canais mais adequados para se expressar, vai desaguar numa agressividade descontrolada.
Entre os Muros da Escola é o maior exemplo de bullying, tendo a escola como agressora e o alunado como vítima.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

KANT E A EDUCAÇÃO

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Kant foi o filósofo que provavelmente mais deixou herdeiros no campo do pensamento ético. Suas obras, de valor inestimável, versam sobre a formação e a educação dos homens, para se tornarem capazes de desejar e buscar dignidade e respeito igual para todos.
Em suas últimas obras já se pode constatar sua preocupação com as questões referentes à educação.
Kant valorizou a educação familiar como base da formação do indivíduo, atribuindo à escola outras finalidades.
A educação familiar, segundo ele, é o período das repressões, para disciplinar o indivíduo, e colocar limites.
A educação escolar teria, segundo ele, como função, formar no homem a cidadania, devendo tratar de todos os assuntos que dizem respeito ao homem e ao Estado, e não conduzir o sujeito a uma crença, a uma ideo logia.
Para Kant, educar é "transformar a animalidade em humanidade"pelo desenvolvimento da razão. A educação deve apresentar uma preocupação com a conduta do homem como bom cidadão, disciplinado.
Conforme a filosofia de Kant, deve-se orientar o jovem à humanidade no trato com os outros, aos sentimentos cosmopolitas, pois em nossa alma há qualquer coisa que chamamos de interesse: por nós próprios; por aqueles que conosco cresceram; e, por fim, pelo bem universal. É preciso fazer que os jovens conheçam este interesse e possam por ele se animar.
Para Kant o homem não é senão aquilo que ele faz de si mesmo: possui inclinação para todos os vícios, mas possui também a razão que o move noutro sentido, o do bem.
Ultimamente, temos lido e visto na mídia, os efeitos nocivos e a desordem que uma má educação ou a falta de cultivo ético e moral em um homem tem produzido à sociedade, principalmente à comunidade escolar.
Neste momento, em face da desordem ética e moral da sociedade mundial e, principalmente, ao novo e avassalador fenômeno que tem atacado todas as instituições de ensino, me pergunto: O diria Kant em respeito ao Bullying?
Penso que provavelmente ele mudaria sua teoria sobre a animalidade e a humanidade, mas como, em suas obras, ele deixava bem claro que a educação tem que pensar o sujeito como um todo pois não está estruturada para formar o homem apenas para o trabalho e a escola atual é, em todos os sentidos, sinônimo de educação, então cabe a nós, professores e educadores, inserir ética e moral entre os conteúdos propostos.
A escola é um espaço de vivência onde os alunos podem e devem discutir os valores éticos, não numa visão tradicional, mas sim de uma forma onde realmente todos possam ter o privilégio de entender os significados de seus valores éticos e morais que constituem toda e qualquer ação de cidadania.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

CASTIGAR POR QUÊ?

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Perante as notícias de crimes que ocorrem diariamente, seja no âmbito político ou social , a população pensa imediatamente que os responsáveis devem ser castigados e esperam que o Estado o faça - prendendo os criminosos. Raramente se interrogam acerca da justificação do castigo.

Perante a sociedade, aqueles que violam as leis merecem o seu castigo, independentemente de existirem ou não quaisquer consequências benéficas para eles ou para a própria sociedade.

Mas quanto aos crimes cometidos dentro das instituições escolares, por crianças e adolescentes?

Qual o castigo?

Cadeia? Pena de morte (como em alguns países)?

Definitivamente não!

A discussão atual, na sociedade e escolas, encontra-se centrada no recém nomeado bullying.

Os personagens envolvidos (pais, professores, alunos) culpam uns aos outros pela causa e evolução deste fenômeno. Mas o verdadeiro "problema" não se resume em descubrir de quem é a culpa, e sim em resolver a situação da melhor maneira, sem machucar ainda mais os envolvidos.

As crianças são naturalmente irrequietas, irreverentes, inconsequentes e, um pouco, irresponsáveis, e isto pode não ser tão negativo se puder ser bem aproveitado, principalmente na escola.

Os alunos modernos, da atualidade, não são mais indisciplinados ou desumanos que os de outrora, mas estão acostumados a um clima de impunidade pelo seu mau comportamento.

E os pais? São diferentes de nossos pais ou dos pais de nossos pais? Em alguns aspectos sim! Antigamente, os pais delegavam poderes aos professores. Entre estes poderes, aparecia a violência, impávida e inconsequente, num concurso de agressões físicas ou morais, ou ambas, causando medo e não respeito.

Isto mudou, mas a concepção de castigo ainda não!

A escola não pode mais "castigar" e acredito que o castigo, por si só, não vai gerar bons frutos.
É urgente que a escola habilite seus profissionais para lidar com o "problema" de agressividade e violência. Não basta, ao professor e ao aluno, estipular um "castigo" e achar que estará tudo resolvido. A criança merece muito mais do que isso. Ela deve entender e diferenciar o certo do errado.
O "castigo" deve fazer parte do processo educativo, e não uma vingança ou penitência. A criança deve ser responsabilizada, sim, pelos seus atos, mas ao contrário de punições arbitrárias e sem sentido, ela deve ter a oportunidade de reparar seu erro, assumindo um compromisso de não repetir, compromisso esse que deve ser assumido mais consigo do que com a escola.
É fato, não se pode negar, que um ato de indisciplina ou de violência, atinge emocionalmemte toda uma comunidade escolar, melindrando a postura de qualquer ser humano que nela esteja inserido. Mas, como adultos, devemos "assumir" o controle da situação com a responsabilidade de adultos sabedores das leis e regras impostas pela sociedade, deixando a razão falar mais que a emoção. Estudamos para isto. Nos preparamos, profissionalmente, para lidar com crianças e adolescentes e é nossa responsabilidade "saber" lidar com os envolvidos: agressores e vítimas.
Mas estamos habilitados a lidar com tamanha onda de "marginalidade", como é dito por aí? Não. Ainda não!
Temos de manipular emoções alheias e desconsiderar as nossas, em prol da nova geração.
"Quem aplica um castigo quando está irritado, não corrige, vinga-se".
(desconheço o autor)