sexta-feira, 27 de março de 2009

EDUCAÇÃO ESPECIAL

Apesar dos esforços de nossos governantes em afirmar que a educação de pessoas com necessidades especiais já não é mais um sonho, as evidências apontam outra realidade: ainda está longe a verdadeira inclusão desses cidadãos na sociedade em que está inserido.
Nós (indivíduos cultos e com poder de decisão) entramos no terceiro milênio determinados a que os direitos humanos de cada pessoa, em qualquer sociedade, devam ser reconhecidos e protegidos. É possivel estender o acesso a TODOS os recursos, tais como: ambientes físicos, sociais e culturais, transporte, informação, tecnologia, meios de comunicação, educação, justiça, serviço público, emprego e recreação, votação e oração.
A partir da década de 90, as discussões referentes a educação das pessoas com necessidades especiais começaram a adquirir alguma consistência. Mas, embora existam instrumentos legais (LDB - Art.58) que obrigam a inclusão dos portadores de deficiência no sistema educacional e no cotidiano de cidadão, na prática essa tão sonhada integração não está ocorrendo. Um dos principais fatores impeditivos desta inclusão é a falta de preparo dos profissionais, tanto os da educação como aqueles das demais áreas.
Os professores, na sua grande maioria, ainda sem um ensino superior, não foram preparados para atender aos portadores de necessidades especiais, não possuem subsídios para realizar um trabalho decente para com estes alunos. O auxílio paralelo (psicólogo, fonoaudiólogo,...) que o governo põe à disposição da escola, não exite ou não consegue atender toda a clientela.
A sociedade, aquela mesma sociedade que tanto fala em inclusão, ainda exclui. Quantos se inibem ou, até mesmo, se repugnam quando se deparam com um portador de necessidades especiais atuando no mercado de trabalho.
Como se vê, mesmo sendo legalmente referido como "modalidade de ensino", a Educação Especial ainda é apenas um sonho. Rezamos para que não seja um projeto utópico.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996), Artigo 58: "Entende-se por Educação Especial, para os efeitos dessa Lei, a modalidade de Educação especial oferecida preferencialmente na rde regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais."
"Pensar que as mudanças se fazem e se resolvem
exclusivamente a partir dos ministérios,
secretarias ou universidades é uma falácia.
O mesmo sistema político, cultural
e educacional que exclui
não pode propor a inclusão.
A não ser para continuar controlando aos indivíduos."
(Carlos Bernardo Skliar - doutor em Fonologia e Educação Especial
pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

sábado, 13 de dezembro de 2008

DEFICIÊNCIAS

DEFICIENTE é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
LOUCO é quem não procura ser feliz com o que possui.
CEGO é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas cores.
SURDO é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
MUDO é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
PARALÍTICO é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam da sua ajuda.
DIABÉTICO é quem não consegue ser doce.
ANÃO é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências:
MISERÁVEL são todos que não conseguem falar com Deus.
Mário Quintana
(30/07/06 - 05/05/94)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Fácil ou Difícil?

Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!
Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência.
Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.
Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.
Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta.
Ou querer entender a resposta.
Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.
Fácil é dar um beijo.
Fidícil é entregar a alma.
Sinceramente, por inteiro.
Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.
Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém.
Saber que se é realmente amada.
Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.
Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é dizer "oi" ou "como vai"?
Difícil é dizer "adeus".
Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...
Fácil é abraçar, apertar mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.
Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem termedo de viver, sem ter medo do depois.
Amar e se entregar.
E aprender a dar valor somente a quem te ama.
Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que sa pessoa se vá.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Ou ter coragem pra fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

domingo, 23 de novembro de 2008

DIRETRIZES CURRICULARES

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
O Conselho Nacional de Educação é um órgão colegiado integrante da estrutura de administração direta do MEC e foi criado nos termos da Lei 9.131, de 24 de novembro de 1995. As normas de funcionamento do CNE constam de seu Regimento Interno aprovado pelo Senhor Ministro da Educação, nos termos da Portaria MEC nº 1306, de 2 de setembro de 1999, que tem por base o Parecer CNE/CP 99/99.
Diretrizes de referência para a organização do currículo escolar:
1) As escolas deverão fundamentar suas ações pedagógicas em princípios éticos, políticos e estéticos. São princípios complementares, relacionados com a autonomia, responsabilidade e solidariedade, com a cidadania e a vida democrática. Também é consideradaa existência de princípios estéticos da sensibilidade, que devem conduzir as ações pedagógicas escolares ao reconhecimento da sensibilidade e criatividade do comportamento humano e à valorização da diversidade de manifestações artísticas e culturais da realidade brasileira.
2) Reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e demais profissionais que atuam na educação escolar, bem como da identidade institucional das escolas e dos sistemas de ensino (acolhimento democrático, pelas escolas, das diversidades e peculariedades étnicas, etárias, culturais, socioecenômicas, psicológicas e físicas das pessoas implicadas diretamente com a educação escolar).
3) Considerar o processo educacional como uma relação indissociável entre conhecimentos, linguagem e afetos, constituinte dos atos de ensinar e aprender. A afirmação dessa perspectiva deve conduzir à valorização do diálogo e à adoção de metodologias diversificadas em sala de aula.
4) Estabelecer conteúdos curriculares mínimos para a chamada Base Nacional Comum, destinados a legitimar a unidade e a qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional.
5) Orientar as escolas no sentido da condução de propostas curriculares e de processos de ensino capazes de articular os conhecimentos e valores da Base Nacional Comum e da Parte Diversificada ao contexto social.
6) Esta diretriz enfatiza a autonomia escolar e fufamenta-se na LDB para orientar as escolas no uso da Parte Diversificada do currículo no desenvolvimento de atividades e projetos no seu interesse específico.
7) Esta última diretriz diz respeito a propostas pedagógicas capazes de zelar pela existência de um clima escolar de cooperação e de condições básicas para planejar os usos do espaço e do tempo escolar.
PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO - SAPIRANGA
Primando pela qualidade do ensino, o Programa de Ensino da Secretaria Municipal de Educação e Desporto tem como princípios norteadores para o desenvolvimento do ensino fundamental:
a) o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
b) a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
c) o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
d) o desenvolvimento do autoconhecimento, da criatividade, da auto-estima, da auto-imagem, da sensibilidade e da afetividade, para agir com persistência na busca do conhecimento;
e) o posicionamento crítico, responsável e construtivo nas diferentes situações sociais, respeitando a opinião e o conhecimento produzido pelo outro, usando o diálogo argumentativo, como forma de mediar conflitos e tomar decisões coletivas fundamentadas;
f) o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social;
g) a utilização das diferentes linguagens: verbal, musical, matemática, gráfica, plástica e corporal - como meio para produzir, expressar e comunicar suas idéias, interpretar e usufruir das produções culturais, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação;
h) a compreensão dos valores e suas implicações para o indivíduo, para com os outros e para com a sociedade, tendo como referência os quatro pilares da educação citadas pela UNESCO - aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.

domingo, 16 de novembro de 2008

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

É tocante o modo como é homenageada, reverenciada e lembrada esta raça. Mas não é uma crueldade e, até mesmo uma discriminação, que durante um ano inteiro é cedida apenas uma semana para quem nos ensinou a ser forte e destemido?
A cultura negra que chegou ao Brasil trazida por escravos apontados como pessoas sem alma e sem cultura, e que não foram em nenhum momento respeitados pelos colonizadores, teve influência definitiva na formação so povo brasileiro.
A submissão à tirania sem jamais perder o sonho de liberdade nos deixou um grandioso legado. A força da cultura negra, que possibilitou a sua sobrevivência durante a escravidão, continua viva e latente. O povo brasileiro, na sua grande maioria, herdou a humildade e a força de vontade.
Herdamos a feijoada, o candomblé, a capoeira, a esperança de liberdade, a coragem de lutar e se rebelar contra as injustiças.
No folclore brasileiro encontramos a figura do Saci-Pererê, que na verdade é um Exu-mirim que vive nas matas. Também temos a Iara, a sereia de águas doces (este ser fantástico trata-se de uma das seguidoras da amada Orixá Oxum).
Da batida dos atabaques africanos, originou-se o samba. Ah, o maravilhoso e gostoso samba!!!!! Ainda hoje é um dos cartões postais do Brasil e foi dos escravos que a mulher brasileira herdou o gingado que tanto encanta os estrangeiros.
Os escravos também trouxeram da África seus Orixás. Na África existiam muitas tribos e cada uma reverenciava à um Santo. Depois de serem capturados em sua terra natal e da vida sofrida que levavam no Brasil, para os escravos só restava a fé. Como seus senhores não deixavam que cultuassem os Orixás, eles comparavam estes Santos com os Santos Católicos (isto era permitido). Santa Bárbara era Iansã, São João Batista era Xangô, São Jorge era Ogum, Ibeji era Cosme e Damião,...
Muitas religiões que se estabeleceramaqui são de origem escrava, tais como: Candomblé, Umbanda, Vodu, Quimbanda, Catimbó, etc...
Enfim, devemos muito aos escravos. Na colonização brasileira, eles foram a mão de obra e nesta miscelânea de raças de que somos descendentes, o negro foi fundamental. Herdamos a simpatia e a alegria de viver, apesar de tudo!
Graças a Deus! Sou uma mulher brasileira e, com muito orgulho, nas minhas veias também escorre o sangue negro, herói, aguerrido, extraordinário!

PROJETO DE APRENDIZAGEM

A atividade de fazer projetos é simbólica, intencional e natural do ser humano. Através de projetos, o homem busca a solução de situações delicadas e desenvolve um processo de construção de conhecimento.
Um Projeto de Aprendizagem oportuniza novas formas de ensinar a prender, além de quebrar a rotina e os modelos antigos na forma monótona de apresentar conteúdos.
As informações, o conhecimento e o saber são entrelaçados através das interações e trocas que estes projetos de aprendizagem viabilizam, onde as experiências e conhecimentos anteriores de mestres e aprendizes (pelos confrontos ocorridos na busca de responder a "dúvidas temporárias" e "certezas provisórias") encontram-se enredados na construção da aprendizagem, pelos elos da cooperação.
Nosso Projeto de Aprendizagem, cujo título é "Lua de Encantos" tem como objetivos conhecer e reconhecer toda e qualquer influência que a Lua possa, ou não, exercer sobre a vida na Terra, me oportunizou valiosos conhecimentos sobre este satélite natural.
Houve "corridas" desenfreadas, busca de sites, entrevistas, leituras, desentendimentos entre os membros da equipe de pesquisa. Mas tudo foi superado de forma diplomática, restando os conhecimentos adquiridos e a experiência vivenciada nesta forma inédita(para mim) de aprender.
Particularmente, ainda tenho dúvidas e não sei se algum dia ela será sanada: a Lua influencia, realmente, o ser humano? Não posso responder afirmativamente se ela tem algo a ver com o humor do homem, com sortilégios e azarações no seu cotidiano, mas posso garantir, com certeza, ela é pura magia, é fonte de inspirações poéticas, e aspiração de momentos encantadores e mágicos.
Como prática em sala de aula, o Projeto de Aprendizagem surgiu como novidade e surtiu efeitos gratificantes: para estudar os animais (3º ano), questionei o que os alunos gostariam de saber sobre os animais (além do que consta nos Planos de Estudos do município). O quesito "linguagem dos animais" foi o mais votado e, com a participação coletiva, foi iniciada a pesquisa. A temática "Comunicações Zoológicas" oportunizou, aos pequenos, valiosos momentos de interação, de descobertas e uma maravilhosa "fuga" da rotina diária da sala de aula.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PALAVRAS E SILÊNCIO


Há algumas coisas que são lindas demais para serem descritas
por palavras. É necessário admirá-las em silêncio para
apreciá-las em toda a sua plenitude.
As grandes falas servem, freqüentemente, para
confundir ou doutrinar.
Às vezes, o silêncio é mais esclarecedor
que um fluxo de palavras.
Olhe para uma mãe diante de seu filho no berço.
Ele consegue muito bem o que quer
sem dizer nenhuma palavra.
Na realidade, as palavras devem ser a embalagem
dos pensamentos.
Não adianta fazer longos discursos para expressar
sentimentos de seu coração.
Um olhar diz muito mais que
um jorro de palavras.
Creio que, em sua grande sabedoria,
a natureza nos deu apenas uma língua
e dois ouvidos para escutarmos mais
e falarmos menos.
Se as palavras não são mais bonitas do que o silêncio, então é
preferível não dizer nada.
Quanto mais o coração é grande e generoso,
menos úteis são as palavras.
É necessário lembrar do provérbio dos filósofos:
as verdadeiras palavras não são sempre bonitas
e as palavras bonitas nem sempre são verdade.
As grandes mentes fazem com que, em poucas palavras,
muitas coisas sejam ouvidas.
As mentes pequenas acham que têm, pelo contrário,
a concessão para falar e não dizer nada.
Poucas palavras são necessárias para expressar
"eu gosto de você".
Portanto, todas as outras que poderiam ser ditas
são supérfluas...
...não são palavras curtas e fáceis de serem ditas.
São aquelas que causam as maiores conseqüências.
São necessários apenas dois anos para que o ser humano aprenda a falar
e toda uma vida para que ele aprenda a ficar em silêncio.
Ser comedido com as palavras é uma prova de profunda sabedoria.
Saber ouvir também.
(Florian Bernard)